jusbrasil.com.br
19 de Julho de 2019
2º Grau

Tribunal de Justiça de Minas Gerais TJ-MG - Embargos de Declaração-Cv : ED 10024056939853003 MG - Inteiro Teor

Tribunal de Justiça de Minas Gerais
há 4 meses
Entre no Jusbrasil para imprimir o conteúdo do Jusbrasil

Acesse: https://www.jusbrasil.com.br/cadastro

Inteiro Teor



EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - MEIO INIDÔNEO PARA CORRIGIR OS FUNDAMENTOS JURÍDICOS OU FÁTICOS DE UMA DECISÃO - AUSÊNCIA DE OMISSÃO - PREQUESTIONAMENTO - INADEQUAÇÃO DO RECURSO - NECESSIDADE DA PRESENÇA DOS PRESSUPOSTOS DO ART. 1.022 DO CPC - REJEIÇÃO

1. Os embargos declaratórios não constituem recurso idôneo para corrigir os fundamentos jurídicos ou fáticos de uma decisão, visto que, ex vi legis, limitam-se ao aclaramento do próprio aresto embargado, não podendo, assim, ser opostos com base em equivocada arguição de omissão, visando única e exclusivamente a obter um reexame da matéria.

2. É de se rejeitar os embargos declaratórios interpostos com base em alegada omissão que se verifica inexistente.

3. Ainda que os embargos de declaração se prestem para prequestionar determinada matéria, é preciso que estejam presentes os pressupostos do art. 1.022 do CPC.

4. Embargos de declaração rejeitados.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO-CV N. 1.0024.05.693985-3/003 - COMARCA DE BELO HORIZONTE - EMBARGANTE: TRAFIC ASSESSORIA COMUNICAÇÕES S/C LTDA - EMBARGADOS: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS - INTERESSADOS: EDGAR MARTINS MANEIRA JÚNIOR, GUSTAVO SILVA MACEDO, ESTADO DE MINAS GERAIS E PAULO SANDERSONI GIL NUNES

A C Ó R D Ã O

Vistos etc., acorda, em Turma, a 5ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, em REJEITAR OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS.

JD. CONVOCADO JOSÉ EUSTÁQUIO LUCAS PEREIRA

RELATOR





JD. CONVOCADO JOSÉ EUSTÁQUIO LUCAS PEREIRA (RELATOR)



V O T O

Trata-se de embargos declaratórios interpostos por TRAFFIC ASSESSORIA COMUNICAÇÕES S/C LTDA em face do acórdão de f.980/1.011, que, à unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação interposto por PAULO SANDERSON GIL NUNES e deu provimento em parte ao apelo da ora embargante, apenas para limitar a incidência de juros sobre os valores que deverão ser ressarcidos ao erário, reformando parcialmente, assim, a r. sentença de primeiro grau que, nos autos da ação civil pública por ato de improbidade administrativa ajuizada pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, julgou procedentes em parte os pedidos iniciais.

Em suas razões recursais (f.1.014/1.018), a embargante sustenta que: a) o acórdão foi omisso sobre o termo inicial para a contagem do prazo de cinco (5) anos referente à pena de proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios, incentivos fiscais e creditícios; b) de acordo com o entendimento jurisprudencial, o termo a quo para o cumprimento da referida penalidade é a data em que houve a sua imposição, a qual, no caso, é o dia 06.11.2017; c) "a Lei de Improbidade Administrativa apenas subordina ao trânsito em julgado o cumprimento da suspensão dos direitos políticos e a perda do cargo público"; d) os presentes embargos devem ser acolhidos, "para que, sanada a apontada omissão, fique expressamente consignado que o prazo de cinco anos relativo à pena de proibição de contratar com o Poder Público foi no dia 6 de novembro de 2017, data em que foi publicada a sentença de parcial procedência da ação de origem".

Aduzindo a necessidade de prequestionamento da matéria, requer o provimento dos embargos, suprindo-se a omissão contida no r. julgado colegiado, com efeitos infringentes.

Relatados, tudo visto e examinado, decido.

Conheço do recurso, pois presentes os seus pressupostos.

Observa-se, no entanto, que os embargos de declaração extrapolam os limites e objetivos que lhes são conferidos pela lei.

Como é sabido, os declaratórios não constituem recurso idôneo para corrigir os fundamentos jurídicos ou fáticos de uma decisão, visto que, ex vi legis, limitam-se ao aclaramento do próprio aresto embargado, não podendo, assim, ser opostos com base em equivocada arguição de omissão, visando única e exclusivamente a obter um reexame da matéria impugnada.

Data maxima venia, não se verifica qualquer irregularidade no acórdão a ser corrigido por esta via.

Isso porque o acórdão enfrentou, mediante clara e racional motivação, a questão relativa à extensão da responsabilidade da embargante e à possibilidade da cumulação de sanções, as quais incluem, no presente caso, a proibição de contratar com o Poder Público pelo prazo de 05 (cinco) anos. Confira-se (f.1.005/1.008):

O fato de ter sido condenada, solidariamente com o apelante Paulo Sânderson, ao pagamento do valor de R$ 55.668,22 (cinquenta e cinco mil, seiscentos e sessenta e oito reais e vinte e dois centavos) a título de ressarcimento integral do dano causado ao erário, não implica a inviabilidade de sua condenação ao pagamento de multa civil no mesmo valor, e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócia majoritária, pelo prazo de cinco anos.

(...)

A condenação cumulativa ao pagamento de multa civil no mesmo valor do dano causado ao erário encontra previsão no art. 12, inciso II da Lei 8.429/92, podendo ser fixada em até duas vezes o aludido valor, e a imposição de proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos, também não se apresenta desarrazoada ou desproporcional.

No que tange ao termo inicial para a contagem do prazo referente à pena de proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios, incentivos fiscais e creditícios, questão que sequer foi objeto de irresignação no recurso apelatório (razão pela qual não há de se falar em omissão no acórdão embargado), cabe ressaltar que, não tendo havido expressa disposição em sentido contrário na sentença condenatória, os efeitos dessa penalidade estão subordinados ao tr...